quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sintra é um paraíso - «Os Maias»

Na série «Lugares bem lidos» no Diário de Notícias: 

AQUI:                                http://www.dn.pt/videos/programa.aspx?content_id=4236351&seccao=lugares%20bem%20lidos

[Cruges] - «Sintra não são pedras velhas, nem coisas góticas... Sintra é isto, uma pouca de água, um bocado de musgo... Isto é um paraíso!...»

Eça de Queirós, Os Maias, Livros do Brasil, p. 233


sábado, 2 de junho de 2012

Fogo sobre a árvore circulatória

[cerca de 200 páginas em 73 curtos, concisos, capítulos, é um dos que estão em leitura - já referido em letras escalfadas]

Recorte:
2
Todos se recolheram, a noite ia grossa, o vento afrouxava as janelas. As telhas vibravam, num mínimo gesto a tempestade nasceria dentro da casa. Os pais dormiam em um quarto. Nico, Júlia e Antônio em outro, na mesma cama, aninhados em forma de embrião.
Um gato esticou as pernas, as paredes se retesaram. A pressão do ar achatou os corpos contra o colchão, a casa inteira se acendeu e apagou, uma lâmpada no meio do vale. O trovão soou comprido até alcançar o lado oposto da serra. Debaixo da construção a terra, de carga negativa, recebeu o raio positivo de uma nuvem vertical. As cargas invisíveis se encontraram na casa dos Malaquias.
O coração do casal fazia a sístole, momento em que a aorta se fecha. Com a via contraída, a descarga não pôde atravessá-los e aterrar-se. Na passa gem do raio, pai e mãe inspiraram, o músculo cardíaco recebeu o abalo sem escoamento. O clarão aqueceu o sangue em níveis solares e pôs-se a queimar toda a árvore circulatória. Um incêndio interno que fez o coração, cavalo que corre por si, terminar a corrida em Donana e Adolfo.
Nas crianças, nos três, o coração fazia a diástole, a via expressa estava aberta. O vaso dilatado não perturbou o curso da eletricidade e o raio seguiu pelo funil da aorta. Sem afetar o órgão, os três tiveram queimaduras ínfimas, imperceptíveis.
Nico acordou e não saiu da posição, tenso, esperou o dia. A chuva não impediu que a noite clareasse, o galo ficou mudo. No quarto dos pais o sol entrou pelas telhas destruídas, o casal estava enrijecido sobre a cama, mas ninguém diria que uma faísca de fogo os havia cozido por dentro. O colchão e a borda das telhas ficaram enegreci- dos, Nico foi até lá e se deu conta do embate entre luz e carne. Antônio abriu os olhos, em choque. Júlia estava alerta, mas não se mexia, não levantou a pálpebra, Nico a deu por morta. [...]

Andréa Del Fuego, Os Malaquias, 2012, Porto Editora, pp. 11-12
Ver:
- o vídeo, da série «Ler mais ler melhor», em que a autora explica a «génese e a carpintaria» do Livro

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Galinhas - Gonçalo M. Tavares

Galinhas

Um menino com laranjas na mão a tentar acertar em galinhas que fogem como podem desse ataque infantil. A laranja não magoa muito, mesmo quando atirada com força porque, se acerta no corpo da galinha, o corpo ainda é espesso e largo e amortece a dor enquanto na cabeça da galinha a laranja pouco parece fazer porque a cabeça é ágil e raramente comete a estupidez de tentar responder à força com mais força. Mas claro que as galinhas não aprenderam a teoria do judo e não sabem que diante da força se deve fingir fraqueza para que seja a própria força do outro a derrotá-lo; a galinha estúpida nada percebe de judo e por isso, agora, quando os meninos já estão mais afastados mas não o suficiente para estarem muito longe, agora que eles já encontraram a distância certa para qua as laranjas ganhem a velocidade máxima, agora, sim, os meninos afinam a pontaria e quando acertam na cabeça da galinha causam mossa, e isso é evidente pelos movimentos ainda mais desordenados do animal. Mas a questão é saber que efeito concreto tem aquilo tudo. [...]

Gonçalo M. Tavares, Short Movies, pp. 141-2

sexta-feira, 16 de março de 2012

Rubem Fonseca - «escrever é uma forma socialmente aceite de loucura»



You Tube
Ícone de alerta
Enviado por em 23/02/2012
Rubem Fonseca, com a obra Bufo e Spallanzani, é o vencedor do Prémio Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do «Correntes d'Escritas»; video feito durante a mesa redonda sobre o tema "A Escrita é um risco total"
Eduardo Lourenço , Almeida Faria, Ana Paula Tavares, Hélia Correia, Rubem Fonseca
José Carlos de Vasconcelos - moderador

[interesse suplementar: ver estampada, em Almeida Faria, pose idêntica à de há mais de 25, antes da FAC, nos tempos da «Mercearia», na Madr., com um Chef que chamava «doutor» ao G. de então]
WELL.

Rubem Fonseca

Tempo da FAC. Ainda nos Barracões da A. de Berna. Numa das aulas do 2.º ano, 87 ou 88, certamente.
A. B. B.
- Menino do Porto que trocou o 2.º ou 3.º ano de Economia por Literatura, sendo já então um brilhante prof. e ensaísta - também dotado de um  corrosivo humor [é melhor não pormenorizar mais]-

mostrou um exemplar de A grande arte [1.ª ed: 83] e, de entre as várias coisas que A. B. B. terá dito, G. reteve para sempre que era um dos «que se lêem sem se conseguir interromper ou parar, pela noite dentro»

- foi mesmo - deverá ter sido - passa a ter sido, acredita agora G. «reinventando o vazio da Memória», certamente....
[«a Memória é uma história qua contamos a nós mesmos», Rosa Montero]

- reeimpressão recente na «Sextante»;
- indo à estante da sala, retoma um exemplar adquirido em 96, das «Edições 70»; não deverá ter sido nesse que o terá lido pela primeira vez, reza certamente a difusa Deusa...

- [ah, já quanto a Bufo e Spallanzani - anterior - em edição brasileira - foi na viagem da Páscoa, de 95, a Salzburgo - abençoados 3 dias - e não voltou - emprestado - ou «oferecido»? - a L. ? à irmã de S. C.?]

 

Rubem Fonseca - por Rui Zink

a) Rui Zink - do ano de A. B. B. - foi prof. de G. na Fac, em 87-88 - ambos davam aulas diferentes - entre si e das univ. habituais [...];

b) neste vídeo faz a datação do livro que G. adquiriu numa Feira do Livro - lembrava-se bem, mas não do ano - o exemplar, vindo da Estante da Sala, reza «Junho de 1982» , mas só o leu depois  de A grande arte (cf. E. anterior)

c) no ano passado, foi emprestado (em três de quatro Quadrados suplementares) a A. C. R., um «meia-leca agarrado»(um dos três irmãos C. R. do Paraíso 1112) que ia «dando cabo» do Bloco L. Não deu, felizmente. Não fez efeito (o livro, claro) - não é para qualquer um
 
d) sai o vídeo, com Rui Zink, da série «ler mais ler melhor»

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Casa (como se desenha ...) por - Manuel António Pina


Vídeo da série «Ler mais ler melhor» - com depoimento do próprio M. A. P., finalizando com leitura de Poema

Frases soltas:
- «A Amizade também é um domicílio»;
- «A Amizade é o Porto de Abrigo que resta»;
- «Desconfiar dos versos que inteiramente se alcançam [... ] porque não vão além de mim»;

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fernando Assis Pacheco - Há um veneno...

(para M. G., lá «longe-perto»)

(na E. de 15 de Dezembro do seu Território, escrevia: [...] E agora cheguei e em vez de ir dormir pus-me a ler F.A.P. Queria ter aqui um livro dele, sem ter de me pôr a ler os seus escritos na internet. Cada vez o percebo mais; [...]

[No posfácio à Antologia... , na página 553 da mesma, F. A. P. é referido como «um dos (poucos) grandes nomes ... do aparentemente escasso cânone da poesia da Guerra Colonial».]

Há um veneno em mim...

Há um veneno em mim que me envenena,
um rio que não corre, um arrepio,
há um silêncio aflito quando os ombros
se cobrem de suor pesado e frio.

Há um pavor colado na garganta,
e tiros junto à noite, e o desafio
(algures na escuridão) de alguma coisa
calando o fraco apelo que eu envio.

Há um papa que morre enquanto escrevo
estas linhas de angústia e solidão
há o fogo da Breda, os olhos gastos.

Há a mulher que espera confiada
um pálido vazio aerograma;
e há meu coração posto de rastos.

(Pacheco, Fernando Assis, A musa irregular)
RIBEIRO, Margarida Calafate, VECCHI, Roberto (org. e posfácio). Antologia da memória poética da guerra colonial. 2011, Porto, Afrontamento, p. 345

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Casa (como se desenha uma) - Manuel António Pina

[Outro poema do último livro de M. A. P.]

 [Uma casa]

Perde-se o corpo na inabitada casa das palavras,
nas suas caves, nos seus infindáveis corredores;
pudesse ele, o corpo, o que quer que o corpo seja,
na ausência das palavras calar-se.

Não, com nenhuma palavra abrirás a porta,
nem com o silêncio, nem com nenhuma chave,
a porta está fechada na palavra porta
para sempre.

O azul é uma refracção na boca, nunca o tocarás,
nem sob ele te deitarás, nas longas tardes de Verão
como quando eras música apenas
sem uma casa guardando-te do mundo.


Manuel António Pina, Como se desenha uma casa. Lisboa, Assírio & Alvim, 2011, p. 17



sábado, 4 de fevereiro de 2012

A poesia do Sr. Cirurgião Plástico, I - o inédito de sábado

Poema ao sábado                     Inédito
Bagagem perdida

E
quando encontras no bolso do casaco das viagens
pequenos papéis esquecidos pelo gesto de
os reteres? Não o fazes por acaso. Investes
na epifania de veres regressar à mão
uma entrada nos Uffizi (a
magnificência
do Vasa) as cores da
Casa Batlló. Nesses papéis onde a data é
o cotão do que passou
reside a ilusão de te evadires daqui –
deste país a fingir que não
te deixa crescer (Europa
de ouropel) lesto
a nivelar por baixo. Chegam-te
vindos do nada quando já nada esperavas
(assim é este país
quando tornas de viagem:)
estás no carrossel dos dias e
nunca mais é a tua mala
(nunca mais
é a tua mala) nunca mais é
a tua mala.

João Luís Barreto Guimarães

Público, P2, Sábado, 14 de Janeiro de 2012p. 9

João Luís Barreto Guimarães nasceu no Porto em Junho de 1967. Publicou o seu primeiro livro Há Violinos na Tribo, em 1989. Os seus sete livros de poesia encontram-se reeditados em Poesia Reunida (Quetzal, 2011).

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sob escombros - Manuel António Pina

[Outro poema do último livro de M. A. P.]

Sob escombros

Um tempo houve em que,
de tão próximo, quase podias ouvir
o silêncio do mundo pulsando
onde tu também eras mundo, coisa pulsante.

Extinguiu-se esse canto
não na morte
mas na vida excluída
da clarividência da infância

e de tudo o que pulsa,
fins e começos,
e corrompida pela estridência
e pela heterogeneidade.

Agora respondes por nomes supostos,
habitante de países hábeis e reais,
e precisas de ajuda para as coisas mais simples,
o pensamento, o sofrimento, a solidão.

A música, só voltarás a escutá-la
numa noite lívida,
uma noite mais vulnerável do que todas
(o presente desvanecendo-se, o passado cada vez mais lento)
um pouco antes de adormeceres
sob escombros.

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa. Lisboa, Assírio & Alvim, 2011, pp. 24,25

Os livros - Manuel António Pina

Noutra E., J. T. M. fala do livro que «que pede para ser lido por dentro dos olhos»[Outro poema do último livro de M. A. P.]

Os livros

É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração ( o nosso coração)
dizendo 'eu' entre nós e nós?

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa. Lisboa, Assírio & Alvim, 2011, pp. 21

Mosaicos hidráulicos - uma Arte da Paciência

Fotografia de Joana Bourg
[...] um engenheiro irlandês, uma designer belga, uma filha, o Alentejo, uma Arte que, percebe-se, dificilmente salvarão da Extinção [...] 
- alguns Recortes:
«Um engenheiro irlandês, uma designer belga, uma filha quase alentejana e pedra mármore. [...]. É uma história com mais de dez anos e que já deixou marcas em casas de todo o mundo.Sean O’Riain e Kristina Verbinnen apaixonaram-se um pelo outro. Depois apaixonaram-se por Portugal. E a seguir veio o mármore. Mudaram as suas vidas para poderem trabalhar juntos e são hoje responsáveis, no Alentejo, pela criação de mosaicos
hidráulicos, uma arte milenar da região, quase extinta, e que é uma herança da presença árabe na Península Ibérica. [...]
Estou aqui em Portugal por causa do mármore. Surgiu a possibilidade de concretizarmos uma ideia, uma arte, e, juntos, mudámos a nossa vida da Bélgica, com muito stress e poluição ão para uma zona da Europa ainda virgem”, conta.
A primeira fábrica que abriram foi em Estremoz. Há cinco anos mudaram-se para Fronteira. [...]
À chegada ao país, garante que teve de trilhar caminhos difíceis para reunir as condições
necessárias para poder abrir uma fábrica, mas a cada porta que bateu tropeçou numa história que guarda com carinho.É por isso que, quando mostra os moldes de ferro que servem de base aos mosaicos conta com orgulho o percurso de alguns. Uns foram oferecidos por antigos artesãos que já tinham fechado portas. Outros saíram de mãos reformadas que voltaram a trabalhar ferro forjado para dar uma ajuda a Sean. Quanto a aprender a arte, propriamente dita, não se cansa de falar em Nelson Cala e no “mestre Zagalo”.
[...]

“A melhor aprendizagem que tive com esta arte é a paciência. As pessoas pensam que é fácil, mas não é. O processo é todo à mão e é complicado, mas pode fazer-se um desenho muito bonito e pessoal.» [...]

Reportagem de Romana Borja-Santos, Público, P2, 02-01-2012, pp. 4-7

LER ou VER : «audio slideshow» (na série «20anos20histórias»

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

«A infância de Herberto Helder» - Tolentino Mendonça

[é o poema referido na Entrada anterior, «acima-abaixo»]

A infância de Herberto Helder

No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios
Isso foi antes
de aprender a álgebra

José Tolentino Mendonça (1965 - ;), in Os dias contados (1990); transcrito de A noite abre meus olhos (poesia reunida) [com posfácio de Silvina Rodrigues Lopes], Assírio & Alvim, 2006, pp. 11 - 12

 
Comentário de João Luís Barreto Guimarães: AQUI

Amor (sussurro do) - José Tolentino Mendonça

Um dos sete depoimentos prestados a António Marujo - no caso de J. T. M., por escrito -
( «Bíblia Sete histórias de uma paixão»
A leitura do livro sagrado do judaísmo e cristianismo apaixona pelas mais diversas razões. Como grande literatura, como texto profano, como história da humanidade, como manifesto de dúvida... Católicos, protestantes e uma judia contam a história da sua paixão.)

Sem comentários, claro:

Um sussurro acerca do amor
José Tolentino Mendonça, poeta e biblista
Se alguma vez tivesse de escolher entre ficar com as 7101 palavras da Carta aos Romanos ou com os 21 capítulos do Evangelho de João,seria como se me obrigassem a decidir pela minha mão direita ou pela esquerda. Se não pudesse mais ler o Profeta Isaías, se por alguma razão não mais me fosse dado ouvir as imprecações de Job ou a cítara de David, se banissem os prantos de Jeremias ou o humor de Jonas, se não pudesse voltar à espantosa originalidade de Jesus, sei que isso me tornaria um apátrida. Aceitar perder os livros da Bíblia seria além do mais conformar-se também a perder: a Catedral de Chartres, o ciclo das lendas arturianas, a vida de S. Francisco de Assis, a arte de Giotto, os mármores transparentes de Miguel Ângelo, a Divina Comédia de Dante, grande parte da lírica camoniana, As Flores do Mal de Baudelaire ou a pergunta ardentemente insolúvel que Dostoiévski gravou em O Idiota: “Haverá uma beleza que nos salve?”
Mas às vezes penso que à hora da minha morte gostaria que me lessem o Cântico dos Cânticos. O Cântico é um epitalâmio, um canto de admiração trocado por dois enamorados, um sussurro e uma extraordinária meditação acerca do amor. As mãos ardem folheando este livro, que pede para ser lido por dentro dos olhos, este livro humano e sagrado, este cântico anónimo que todos sentem seu, este relato de um sucesso e de um naufrágio ao mesmo tempo manifestos e secretos, esta ferida inocente, esta mistura de busca e de fuga, este rapto onde tudo afinal se declara, esta cartografia incerta, este estado de sítio, este estado de graça, este único sigilo gravado a fogo, este estandarte da alegria, este dia e noite enlaçados, esta prece ininterrupta onde Deus se toca.
Neste poema o amor está sempre a ser proposto e reproposto: nunca é construção terminada. Há um ritmo incessante de movimentos, quase vertiginoso em alguns momentos. O amor faz destes enamorados nómadas, buscadores e mendigos. Todo o diálogo de amor é uma conversa entre mendigos. Por isso a maior declaração de amor é ainda um pedido: “Grava-me como selo em teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor” (Ct 8,6).
Por António Marujo , Público , P2 , Sábado ,24 de Dezembro de 2011, pp. 4-5