sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Pessoa, por Gozblau



Pessoa, 
pelo ilustrador Alex Gozblau, numa série de 365 (auto)retratos, um por dia do (respetivo) Aniversário
- do P3

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Gatos (Veneza aos) - O'Neill por ONeill

- no «A Vida Breve» de ontem, 2 de Novembro

VENEZA AOS GATOS


Lisboa às moscas e Veneza aos gatos…
(os pombos da bondade só conspurcam
a praça de S. Marcos)
… ao gato perna alta que não vem quando o chamas,
ao contrário da patrícia mosca,
que não era para aqui chamada,
mas logo te soprou os últimos zunzuns
mal chegaste a Lisboa.

O gato de Veneza não te dá pretextos
para miares o que te vai na alma, [mala?]
nem os sacros temores da miaulesca
esfinge rilkeana.
Não é um gato é um perfil de gato
tapando a saída da calleta.

O gato veneziano é gato sem regaços
e sem selvajaria.
De Veneza o gato é sempre muitos gatos
que vão à sua vida…
… como tu, afinal, não vais à tua.

(De Veneza a Lisboa, num zunido,
já trazias a mosca no ouvido…)


Alexandre O'Neill, de  Feira cabisbaixa, 1965; transcrito da p. 259 das Poesias completas, I.N. C.M. , 1990 (também em Assinar a pele...)




Assinar a Pele, Assírio & Alvim, 2001


terça-feira, 17 de outubro de 2017

"Retrato múltiplo», Gastão Cruz

[o mais recente título de Gastão Cruz é um dos que tem tido «presença cativa» no saco que origina os COM de Mestre Arq.º P. CH.,... 
«sempre à mão» em «C.s P.s» e «equivalentes»...]

RETRATO MÚLTIPLO

Voltar-me para ti ou antes para
o teu lugar se tal abstracção
é possível na noite sem

som onde és o eco múltiplo
procuro
ver novamente os teus vários retratos

animados pelo sol o amor ou a respiração
o sangue torna
a passar-te nos braços fotográficos

devo continuar
a narrar o percurso irregular
da tua multiplicidade

eras o ar a árvore voltar-me
para ti é como procurar
no mar os afogados


Gastão Cruz, Existência, Assírio & Alvim, 2017 (Setembro), p. 13

sábado, 14 de outubro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Ler sem ser interrompido... - MEC

Recortes da crónica de hoje de Miguel Esteves Cardoso:


Há as pessoas que têm pena de eu estar a ler um livro. Sentam-se para me fazer companhia — porque qualquer tipo de conversa é preferível à tortura solitária de estar embrenhado num livro.
Digo que tenho de acabar o livro. Sorriem: “Eu sei o que é estar só. Eu também já fui ostracizado, durante a puberdade, nas berças onde nasci.”
Depois há os que pedem desculpa por interromper a leitura. Como não lêem habitualmente livros, não fazem ideia do que estão a fazer. 
[...]
Interromper obriga a reler e a trazer para a terra parágrafos que foram feitos para voar. A concentração não é um esforço físico: é um resultado da qualidade do livro e da força com que nos prende.
Interromper é arrancar-nos deste estado de graça que é a pura e deliciosa distracção — e que não se pode ligar e desligar como se estivéssemos a ler uma palavra de cada vez, como se um romance fosse só uma lista de palavras que se pudesse retomar em qualquer fragmento.
Onde é que eu estava? No paraíso

domingo, 27 de agosto de 2017

«A memória: espelho partido» - Saramago

[…] Lembrou-se do alvoroço adolescente com que a olhara pela primeira vez, então a si mesmo insinuou que o moviam simpatia e compaixão por aquela pungente enfermidade, a mãozinha caída, o rosto pálido e triste, e depois aconteceu aquele longo diálogo diante do espelho, árvore do conhecimento do bem e do mal, não tem nada que aprender, basta olhar, que palavras extraordinárias teriam trocado os seus reflexos, não pôde captá-las o ouvido, só repetida a imagem, repetido o mexer dos lábios, contudo talvez no espelho se tenha falado uma língua diferente, talvez outras palavras se tenham dito naquele cristalino lugar, então outros foram os sentidos expressos, parecendo que, como sombra, os gestos se repetiam, outro foi o discurso, perdido na inacessível dimensão, perdido também, afinal, o que deste lado se disse, apenas conservados na lembrança alguns fragmentos, não iguais, não complementares, não capazes de reconstituir o discurso inteiro, o deste lado, insista-se, por isso os sentimentos de ontem não se repetem nos sentimentos de hoje, ficaram pelo caminho, irrecuperáveis, pedaços do espelho partido, a memória.


José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, 21.ª edição, 2013, Caminho, pp. 240, 241
[sublinhados acrescentados]

domingo, 16 de julho de 2017

«La chasse spirituelle» - Tolentino Mendonça

La chasse spirituelle

O corpo não se furta, não se esconde
sobe e desce igual à chama
torce-se, dobra-se, vira-se sobre si
no único modo que tem
de dar-se a ver sob as escamas

o corpo é o acesso a um reino
a cidades cheias de sangue e vapor
feitas para abrigar
ringues, pistas, arenas
e palavras que nos vencem

o corpo serve-nos para filmar o escuro
uns quantos passos cambaleantes
até à inevitável rendição
como se fôssemos apenas 
a presa de um século de vento


José Tolentino Mendonça, Teoria da fronteira, Assírio, 2017, p. 51 (3.º poema, de 8, da 2.ª «secção», «Sans-papiers»)

terça-feira, 30 de maio de 2017

«Vem, noite...» + «O meu nome é Simão» - Golgona Anghel

- Fase de «esvaziar» os (ultimos) ENV. - cada vez mais lenta («penosa»?)

- continua a (re)leitura do livro de G.A....

Vem, noite, coisíssima e pindérica!      (*) 
Vem, noite de copos, noite de loucos,
estou só e sem inspiração.
Chamemos a lucidez e a sua escola de dactilografia
para ditar uns carmes.
Vem, Senhora, mulher sócia da compaixão,
vem pingar-me uma gota de Dostoiewhisky na goela.

Noite de Natal, noite de cristal,

noite dos Óscares, noite de Iguana,
noite dos museus,
apanha o primeiro táxi e vem.
Vem semear piolhos de ouro na juba deste boémio.
Vamos os dois corrigir o mundo
com moscatéis e valeriana.
Confia em mim.
Sou forte, sou vigoroso, Senhora!
O deboche sabe-me de cor.
O meu nome é Simão, o apelido Budoar.
Os meus olhos duas alfaces.

Sou jovem, um bezerro, Madame!

Tenho por alimento mamilos de galáxias.
Por Deus, um computador.
Assim, sem roupa, pareço perigoso.
Mas se me vir de robe,
não passo de um criminoso meigo
que faz cócegas à sua presa
e sabe canções de embalar.

Golgona Anghel, Nadar na piscina dos pequenos, Assírio, 2017 (Maio), pp. 28, 29

(*) Campos: Vem, Noite antiquíssima e idêntica,

domingo, 21 de maio de 2017

Tratado da Mão - «O Graxa»

[«O Graxa» era o miúdo protagonista de um conto de José Gomes Ferreira, que J. se lembra de levar ao Qd.o num dos primeiros anos desta «Profissão Agrícola Congelada»]

segundo a REP do Público de hoje, restam 3 «Engraxadores».... 
(quanto aos metafóricos», impossível a contagem, não?) ...na Praça da Liberdade, no Porto

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ega, por F. F.





- esta «caricatura de caricatura», de F. F. (ref., por ex. AQUI), datada de 03, «reapareceu» num destes dias, dedicado ao «RASGA-RASGA»...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

42 = 84?

 [... a 21 de Março...] 
«... o Expresso republica um documento único, de conversas e leituras com 42 poetas contemporâneos portugueses (a jornalista lê um do Entrev.; este, um de outro...). Alguns são jovens da geração de 70, outros são mais velhos e começaram a dar cartas na poesia portuguesa na segunda metade do século passado. Eis a a compilação, [...] da primeira temporada d' «O Poema Ensina a Cair», rubrica semanal [do Verão de 14 ao de 15] [...]

domingo, 19 de março de 2017

«Como ladrão ou mulher pública:...» - «Harmónio» - Eugénio

[terá sido entre 02 e 05, que J.  ouviu (o italiano) F. Bert. - «às voltas» com o Dout., referir a «raridade» de poemas relativos ao Motivo do Pai na obra de E. de A....; este será um deles?]

Harmónio

Como ladrão ou mulher
pública: vens de noite.
Trazes o harmónio,
a masculina 
música roubada às fontes.
Não te esperava; só uma vez
te esperei tremendo de amor:
eu era tão pequeno
que não me viste.
Nem uma palavra ousas;
só os olhos suplicam que te roube
à morte, que devolva ao sol
a modesta desordem dos teus dias.
Que escute ao menos a pobre
e rouca e desamparada
música do teu pequeno harmónio.

Eugénio de Andrade, «Harmónio». Transcrito da p. 47 de Em nome do Pai - Pequena antologia do Pai na Poesia Portuguesa, Modo de Ler, 2008
[de Ofício da paciência, 1994]

sexta-feira, 17 de março de 2017

«Serenidade» - Raul de Carvalho + Salgado + Viegas

- «CinePovero» designa-a como «Narrativa Visual» - «poderosíssima»
[2.ª versão]                                - AQUI

[quarta, 22, pelas 8 e 35;
- a dona A., Assist. Op., depois de olhar para algumas das fotos de S. S.:
«Isto tem a ver com a Páscoa, não é, sr. P.?»]

quarta-feira, 1 de março de 2017

Campos Carnavalesco


- reproduzido de artigos do OBSERV. sobre Lazarim (Lamego) + o «centro interpretativo da máscara ibérica»...
- com «dossiês fotográficos»

AQUI

e

AQUI


(quanto ao outro carnaval, o «industrializado»...)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

António é o Nome de Rómulo

- nos 20 anos do falecimento, «dossiê» do OBS sobre o Homem e a Obra, com várias referências documentais e , ou, biográficas, fotos... AQUI

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Camões - Autopsicografia





«Camões (segundo José Malhoa)», 2014,
de José Almeida Pereira - http://josealmeidapereira.blogspot.pt/
[Galeria Graça Brandão]

- avistada no Público de hoje, no dossiê relativo às Galerias que «vão» ao ARCO... 


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Eugénio («Aproximações a»)

- do livro de 2000, o «Estúdio Raposa» (Luís Gaspar) «arquiva» poemas e ilustrações:

AQUI

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Camões Hipersexual

- recortes da entrevista de Mário Cláudio a João Céu e Silva, no D de N, no dia 13, a propósito do seu novo Romance Naufrágios de Camões 
- na íntegra, AQUI (por enquanto...)

[...]
Camões era um marginal e perde o ímpeto no final. Não há dúvida sobre isso. É um grande intelectual, um sábio e um poeta de génio, mas transgrediu muitas normas de direito penal da época, assassinou um homem em Lisboa e por isso foi condenado ao degredo.
Do género má rês...
Exatamente, má rês, sobretudo no aspeto da insubmissão e, claramente, revoltado contra o establishment. E havia o lado do amoroso que não coincide com o platónico dos seus sonetos, que obedecem à estética da época, em que as mulheres eram postas num plano de intocabilidade e de de pureza.
Respeito que não praticava?
Sim, era um homem de instintos muito fortes e com uma pujança sexual muito grande, daí frequentar os bordéis de Lisboa e o relatar. Estamos perante uma figura muito controversa, que tem muito menos de herói da pátria do que de herói da literatura e que é um valdevinos, como era reconhecido então.
[...]
Com amores transgressionais e clandestinos, até inter-rácicos e com escravas, o que já na altura era malvisto. E escreveu sobre isso, o que mostra uma certa coragem. Provavelmente era um hipersexual, o que se manifesta na escrita muito escaldante quando se trata de questões de amor [...]
 [...] A maneira como foi tratado em morte denota que não era uma flor que se cheirasse e por isso foi despachado para a vala comum.
[...]

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A baleia e a tangerina







[em destaque no corredor principal, que vai da Praça Central ao «Bunker GTT» - a fotografia é de «inexperiente»...; quanto a D. de A., referido AQUI]

[ao lado do texto, traduzido, de Fazil Husnu Daglarca]

[dia 9: I. A., filha,  inf. que o Ex. pertence a L. que trabalhou com o pai...]


sábado, 28 de janeiro de 2017

Almada

Crédito(s) da foto não indicado(s)

Visita «antecipada» à «Mostra Antológica» (25 anos depois...) a inaugurar na sexta, dia 3 -

- em «especial», assinado por [...] no «Observ.»

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

sábado, 14 de janeiro de 2017

«ser (estar) ou não ser (estar) conectado?»


É a resposta que J. frequent. dá, quando algum dos Qd.s pergunta se vai enviar «isto ou aquilo»:
«Escravaturas», já tive as suficientes...»


Ilustração de João Fazenda 
[«ex-AA», nos Qd.s de D., de 3.º Bloco, no Palácio 9899...]
para a crónica de R. A. P., na Visão. de 5 de janeiro (sobre a esquisita lei francesa conhecida pelo nome de "direito de se desconectar")

- no «P2» do Público, de hoje, um dossiê do [...] sobre [...]

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017