- de recente livro de Quintais, com cerca de 94 poemas...
Nuvens brilham no escuro.
As mais raras, tão frequentes agora.
Fantasmas do hemisfério norte
deslocam-se para sul.
Estamos na sombra da terra.
- de recente livro de Quintais, com cerca de 94 poemas...
- livro com 48 poemas, todos intitulados «Lição (de)...»
Ricardo Gil Soeiro, Lições da miragem, 2024, p. 44
- Exercício de «Recuperação» de muito do que, entre 2010 e 11, anos CONTENT.s, foi apagado desta(s) CASA(s), mas não do COMP.or, com nova «edição», mas mantendo a Listagem em 4 Secções:
- «Daniel Dixit»;
- «Flagrantes»;
- «Leituras»;
- «Outrora Agora»
Passa por D. um Invisual. Bengala, das antigas, articuladas, em riste. Em passo
muito, muito ACELERADO. Só podia ser... Era. É. O Arménio (um dos 3
Invisuais da Turma A - 67 - 70). Aturdido, D. não o interceptou.
- EX – PARAÍSO IV
- EX – PARAÍSO III – 15-12-2010
(Rua Nova do Almada, Templo do Consumo); ( Cena 2, na fila do pagamento)- Ex-funcionária da Secretaria, informa D. que ensina Filosofia... em S. Tomé. E diz que «tem que ser um dia de cada vez».
- 13-12-2010 –
EX-PARAÍSO
(Desta vez, foi na Rua Net...) -...Que D. retomou o contacto com L. F., Qd.a por duas vezes, no Velho Paraíso, surgiu «transfigurada» na segunda: reservada, como antes, mas com surpreendente abertura «às Letras»... Naquela turma foi tudo para Fotografia (o Mestre foi B. S.). L. F. também, numa Privada, mas «corrigiu» para... Educadora de Infância. Pelas Beiras anda, determinada.
- EX-PARAÍSO – 10 – 12 - 2010
(Pascoal de Melo; 10:45) - interceptar «Ex-».
C. ia pensativa. Enquanto a ouvia, D. buscava imagens.
Tem agora 24 anos. Cilindrada por Bolonha, diz que «lhe falta o Mestrado», após
uma licenciatura em «Design de Equipamento.»
Referiu o que se sabe: os colegas que não encontram como
«aplicar» as formações artísticas que realizaram. No seu caso, o pai
requisitou-a para a empresa, lá na cidade de origem. Menos mau.
- Estão no Porto, a estudar «qualquer coisa» da Grande Dama-TEATRO. Vieram de Visita. São a S. e a R., - ex-, do décimo H, de 07-08 - uma «igual-diferente a tantas outras» - De S., D. relembra sobretudo as referências a leituras de Vergílio Ferreira, logo na 2.ª ou 3.ª semana - MARCA -; Agora, «tudo continua a correr bem», dizem. Conscientes do «mar de poucas rosas em que se meteram?». Sim, também assim parece a D.
(pelas 15:00; Chiado, junto à
«Vista Alegre»)
Tinha
lido todo o Livro do
Desassosego, talvez pelos 14 anos, e não se deixara «enlouquecer»
pelo mesmo. Uma Figura (de altura baixa), até porque fazia um «Part-time» na
livraria (e no bar) da Assírio & Alvin que existia no Cinema KING.; do décimo primeiro, em 2002-2003 e do décimo
segundo, em 2003-2004.
Das vezes em que D. o reencontrou, ao sabor dos tempos: trabalho nocturno numa garagem... estudos (D. não se lembra onde...); ligação à «Zé-dos-Bois...; vida comum com S., de Palmela, dita «a Sobrinha» de D., que «ADOÇOU» F. F. V.; exposição no estrangeiro (D. não se lembra onde..)...;
Vinha: com enormes barbas, de Patriarca-Profeta; com amigo que levava bicicleta pela mão...
Interceptado, disse que: «ia para o ateliê ali perto»; «fazia música, fotografia... ( o resto, que D. adivinhe..).»; «tudo bem entre ele e a S....»;
(09-02-2011)
(Hoje. Das 08:20 às 08:30.
PRAÇA CENTRAL EXTERIOR DO ALDEAMENTO)
D.: Se «os meus»
me odeiam(...) [omite-se
o resto]
MBP: Sabe que fiquei com os livros do meu avô [que ninguém
queria] (...) que morreu antes de eu nascer (...) que foi um
revolucionário (...) a minha mãe [omite-se o resto] [The best]
D.: Bom, agora
vai... [o resto não se
diz aqui]
MBV: Sabe, ando
a ler Jorge Amado (...) Mar Morto [ «e o resto não se diz»]
- Doutores e... engenheiras - Flagrantes, XV – 02-03-2011
- (Almoço já tardio. No STP., uma filial do «S. L. e AA» (Sport Lisboa e...). Nas Catacumbas, sempre, as «Elites AA, sempre avançadas, na idade, pelo menos)
N.: (despacha, género, «Não tens mais nada para fazer?) - Porque são Engenheiras.
EX – PARAÍSO, XIII- 11 – 05 - 2011
HORA: 11:40
LOCAL: uma das 400
Finalista do 12.º Contentorial do ano passado, está em Londres, a estudar Cinema. Superou (-se). Disse, entre outras coisas, «que não precisa, mas que também arranjou um trabalhinho - o trivial - lavar pratos num restaurante»;já se encontrou com a V. A., amiga de Mina - é a TEIA «EX-AA».Informou que o D. F., um dos «o Filho» está, por decisão «toda sua», no... País de Gales.
- 10 – 04 – 2011 - Isabela Figueiredo - Quase RETRATO
Vinha
da «Outra Margem», com L.F.P. (também recentemente re-localizado - voz poética
original que diz «não se querer promover»).
- andou pelo DN JOVEM, tornou-se uma prof. inevitavelmente diferente, regressou do «mais Sul» à sua Almada, crê R., antes D.
D. tem-na acompanhado virtualmente - no blogue, agora «Novo Mundo Perfeito» - e na obra, Caderno de Memórias Coloniais - - a prosa é quase sempre representação do quotidiano - literariamente diarística, com um estilo «ÁCIDO SUAVE», formando núcleos e séries, mesmo quando parece «dispersar»-
ALFAMA AUSTRÍACA? - POIS,
CAFÉ –
Flagrante, XIX (Repescado da
quinta-feira)
a) Entrar. Observar - Desenhar - Diagnosticar: Patronato=Alemão, aliás, Austríaco
b) Consumir. Inevitável: apfelstrudel (dois)
c) Sair. Dar a volta, para ver a «zona de serviço» por fora.
d) Reentrar. Esperar pela disponibilidade da «robusta,
vermelhusca Patroa?»
D.: Onde é que foi buscar o Nome (...)?
P.: (a resposta que já se previa) Sabe, nos nossos primeiros tempos em
Portugal, não entendíamos nada da Língua, mas «pois» era a palavra que mais vezes ouvíamos. Parecia servir para
tudo. Logo, foi a primeira que fixámos. (inventou-se um pouco, a senhora já deve ter contado isto n+1
vezes...)
- 25 – 03 – 2011
ALFAMA
- (nasce-se e vive-se em Lisboa; os anos passam; e foi preciso «acolitar» F. S. para se regressar a Alfama - por dentro do Casco); (assim, enquanto a maioria desenhava e a minoria do costume fazia as tristes figuras do costume, D. andava «em busca do tempo perdido» - E, como há sempre um Flagrante, desta vez, terá sido assim:
O que terá ficado mais «abespinhado» foi F., O Fininho (que, de
momento, caminha aos Tombos). Natural falta de poder de Encaixe (termo do
Boxe).
D., que aproveitava para «estar na Lua», só apanhou a «ponta
final», quando o tal Jovem Adulto se apresentou como «Licenciado no Meio pelas
Caldas».
Pois. E anda nos Censos.
- 27 – 01 -2011
(Sophia, Corredores, Maias
Quarta. A partir das 18:30. Abertura da Exposição-Mostra do Espólio de Sophia, entregue à B. N.
- 04-12-2010
Há
dois meses que o transporta diariamente. Vai lendo como o tempo o permite e
resistiu a todos os avisos de D. («é demais para a
fase actual» e outras bem intencionadas ...). Já há manchas,
dobras e outras cicatrizes. Huuummmmm.
- 22 – 03- 2011
RETRATO X
Há dois anos, alguns dos Meninos e Meninas diziam: «GTT. para a
Esquerda, GTT. para a Direita» Porque consegue ser Familiar, sendo a CHEFE.
É a Governanta, sobretudo «pau para toda a obra». A Central de
Informações, também. Como é «rodas-baixas», acelera muito, a REMAR com os
braços. Parece sempre em estado de Galo. Ou melhor, Garnizé. Mais Impaciente,
crê D., do que Nervosa. Trabalho, trabalho, dores, dores. Muitas deve ter
superado. Também educou ferozmente um J.. A doçura, acha D., veio com As Netas.
Já
lá estava há muito, quando D. chegou em 92-93. Foi o primeiro ano, uma Sorte,
no VELHO PARAÍSO - (chamava-se, então Ano Probatório ou Pós-Estágio). D. voltou
em 96, para ficar. No ano da N. (agora nas Caldas). Grande Sorte. Dizia:
«alguém estava distraído».
D. ainda era
Tímido. Muito. Passava por distante e formal (que jeito dava). Acha que via a
D.ª GTT. como ÁSPERA. Mas a visão foi mudando.
Era o 11.º de S. Como é que um P. tão formal andava aos beijos a um «fruto tão fresco» era motivo de especulação no Bunker GTT. Descansou, quando soube que era a Verdadeira Sobrinha. Ainda hoje D. se ri (Nos rimos) desse Equívoco.
RETRATO V
(Contentores)
RETRATO II
(Outro pilar contentorial) -
Guardiã, também. Galega, por Origem, já leu «Trabalhos e paixões de Benito Prada», de F. A. P. - já então em saldo nesse estéril território de (in)culturas - não me lembro da conversa de então -.
- T. ALVZ. apresenta excelente disposição. Atroa e abraça. Em cenário acabrunhante, faz a diferença. Nada acanhada, usa com Nobreza os proeminentes atributos.... Que o digam as Meninas que sob «Elas» têm chorado. Ou rido, que ao mesmo vai dar.
RETRATO
I
(Ao
portão, as manhãs são dele) -
Às vezes D. pensa que veio com o «pacote» de Contentores. É o «senhor Eug.o.». Entroncado mas não Monolítico. D. viu logo - como, não perguntem - que não era um profissional do ramo. Teve que ser. A Vida, os rumos, os atalhos. Sentindo-o sólido, nos primeiros tempos de «integração», alguns Infantes acolhem-se sob a sua Asa. Depois, afastam-se. Porque será?
- Exercício de «Recuperação» de muito do que, entre 2010 e 11, anos CONTENT.s, foi apagado desta(s) CASA(s), mas não do COMP.or, com nova «edição», mas mantendo a Listagem em 4 Secções:
- «Daniel Dixit»;
- «Flagrantes»;
- «Leituras»;
- «Outrora Agora»
Sábado, 4 de Dezembro de 2010
(Ontem
à noite) -
General Z. diz para D.: Lembras-te de,
quando estava grávida do J., teres aparecido, às duas da manhã, com «um
grande amigo», que tinhas reencontrado nos transportes (???), quando, devido à Insónia, eu estava a fazer queques, que comemos pela madrugada fora? (...?)
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Daniel dixit
Domingo, 12 de Dezembro de 2010
Publicada por Jocardo em 15:08
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Daniel dixit
c) - V. pediu uma sugestão. E D., em vez da resposta habitual (Mia Couto, naturalmente), retorquiu: «Contos», de Vergílio Ferreira.
À
frente dele, um senhor J. F. que era pai de outro J. F. - DISC. de
há cerca de 15 anos e Ilustrador já bem destacado -. Falavam, em
trocadilho, da «Ordem natural das coisas» [...]
29-11-2010
(Antes: - D. «meteu-se» com o senhor António, suponho. Foi da Rua da Misericórdia (Outrora «do Mundo») para o «Comes» da GULB.. Diz «que já lá está há 28 anos»; de sorriso subitamente aberto, comentou «que fora uma grande Escola». Perguntou a D. «se tinha sido cliente». Que não, «que era Menino de S. Paulo». Não deu para mais. Talvez em próxima
D. não se lembra de haver livros nas Casas da Infância - Pai com a «antiga 4.ª classe», feita em meio rural, Mãe que «não sabia ler nem escrever» -
(de tempo a tempo, D. egressa a páginas da primeira ficção publicada: O silêncio, 1.ª ed: 1981 - «revelação-calma» para fases de muita leitura, entre cursos interrompidos, «trabalhos manuais», (in)decisões... que o seu caminho faziam
a.2.) «tectos
baixos e de neblina» (a partir de verso de Cesário Verde)
a.3.) «império» do plástico - material «contaminante», como se sabe, muito «mal-cheiroso», quando se começava à tarde...
a.4.) um D. que,
por vezes, já não sabia como controlar o Outro D.
a.5.) a
província, no seu melhor: a «quintarola» do lado...
a.6) aves pouco canoras
B) o que surge «pela frente»:
b.2.)
corredores, corredores, corredores, para deambular
b.3.)
ressonâncias iguais-diferentes
b.4.)
cheiro a novo, mas que será de «curta aspiração»
b.5.) materiais leves - MAS: pisos de MADEIRA - ALELUIA - na ALA NOBRE
«Outro de Mim já aqui esteve»
a.1)
- vários níveis de Estaleiros, por «dentro» e pelo «verso» vistos;
a.2)
- as ovelhinhas curraleiras e o aldeamento - com a visão «liliputiana»:
como pôde tanto Pobre de Cristo ali caber?;
a.3)
-mais longe, após o «Jardim das Tabuletas» (expressão do PAI VELHO, aí
«morador»), o rio,
tal
como em Os Maias:
«uma estreita tira de água e monte que se
avista(va)» (p. 12, da edição de 2006 da Livros do Brasil)
B) a Arqueológica:
em vários níveis da Memória - só para uso Íntimo - sintetizada,
perante alguma perplexidade do público, na frase («Pessoana, como
todas»):
«Outro de Mim já aqui esteve»
MAPA DO DIA -
Personário, XIX + EX - PARAÍSO, XIII
- drama: um vestígio de crença (na Palavra) «aflora» no que a V. escreve, a partir das palavras de Mia, na história da «criança não mecânica» - é dela, a frase, muito sugestiva, no parágrafo-desfecho-epílogo: «tornou-se um mecânico da não palavra»
[sem o saber, provavelmente, tem razão na Imagem da Escrita como Mecânica = harmonia de múltiplas rodas, peças, engrenagens - ver em Álvaro de Campos, por exemplo, ou no «Chaplinesco» «Tempos Modernos», onde, precisamente, não há palavras, só a «engrenagem descontrolada»]
-15:45 - Centro V. G. - permanente Feriado - R. intercepta «X» - cliente de 11.º, em D. de C. , de há 2 anos - «rodas-baixas» + perfil da Maioria - R. perguntou-lhe «por que é que desaparecera» - andava a «melhorar ou a fazer disciplina pendurada», tanto faz - disse que há «dois meses trabalhava ali, num Restaurante», mas que «já apanhara algo no estômago, devido à comida que davam ao pessoal». R., que andou 15 anos por essa «Vida Real», não se espantou, naturalmente: S., rodrigues sampaio, por 75,76,77, a ementa mais frequente era: SOPA; «ossos no forno». Mas, vinho, «à descrição»]
Do lado dos Qd.s, só duas escolhas a relevar:
- Pablo Neruda, Confesso que vivi - trazido pela M. A., do bloco «Z» - só J. L. sabia o título do «famoso filme» - «premiado» com uma apresentação oral -
a dona E. - a «Eco- AO», a do Retrato VIII - tinha aberto em cima
da Mesa-Fronteira- do Piso 400 a Obra aberta, de Umberto Eco.
Brilhante.
ECO-Cardos, VII - 08 – 05 – 2011
(repescado de quinta;
corredor 400)
tudo isso porque a «clique desenhista» do lado tinha cumprido: os
Meninos traziam carrinhos, as Meninas, bonecos, as;
- (já em intervalo, M. - novo-paRAÍSO PROMETEDOR - REPETIU-LHE:- «o p. É UMA personagem» ; (não devia ser, com tanto A. por lá) (mas que é bonito, é, o elogio, claro; então vindo de quem rezinga enquanto R., por dentro, sorri)
Vinda de um fundo espesso e incompreensível
a lua
pulsa como um coração negro pintado
A cada
pulsação avança no écran da noite
até
chegar a sobrevoar a esplendente superfície do mar
que
assim finalmente entra em palco
Um
milhão de fogos cintilantes e frios iluminam
essa
cena – uma massiva queda de estrelas
que a
mesma lua projecta
sobre a
memória das grandes ondas oceânica
Há
depois um daqueles instantes
em que
uma veloz cadeia de coincidências antecipa
para ti
a leve e inconsequente saudação da morte:
A lua
transforma as vagas nuvens que por baixo dela navegam
nos
cumes nevados de grandes montanhas pálidas –
pedra
branca e cinza – Uma neve
que
irradiasse uma neblina azulada
Como se
a lua, ecoando a terra
nos céus
imitasse uma paisagem terrestre
Manuel Gusmão [...]
in Público, P2, 30-04-2011, p. 9
MAPA DO DIA + EX - PARAÍSO, XV, XVI – 27 – 05 - 2011
- Dona GTT fala enlevadamente com um lindo «EX-PARAÍSO» - de
fatinho e gravata, embora com marcas de muito uso; R. passou e perguntou. O
Menino respondeu que «já saíra há cinco anos».
- «mãos sujas, mãos limpas...», hoje, ainda na Série «Revolução já!, Poesia Pública» , Três Estrofes de um poema com nove, de Tatiana Faia:
[...]
tudo isto às vezes
confundia-se muito e a grande velocidade
por exemplo
o destino das mãos e da cabeça de cícero
um dos últimos senadores republicanos
impecavelmente limpas, cabeça e mãos,
porque ambivalentemente sujas
de versos retóricos, meias paixões
e manobras de conspiradores
ambas terminaram cortadas e expostas na rostra
do fórum romano
por frases ditas e palavras escritas
contra generais com mãos pelo menos
tão sujas como as dele
mas seria uma desculpa fácil dizer
que as palavras por que vivemos
não nos podem erguer acima
da sordidez do tempo
breve de uma vida humana
isto porque as mãos dos césares
que se seguiram não se confundem
por exemplo com as mãos de cesare
pavese o poeta cujas mãos repousavam
sobre o cachimbo perpetuamente aceso
nas manhãs de turim e assinavam poemas
e também as cartas que em 1935
o puseram na prisão por serem
de um teor antifascista
e terem sido trocadas entre ele
e subversivos famosos
uns quantos rapazes de vinte
e poucos anos como ele
[...]
- leitura interrompida, na Zmab, em Julho de 23, ora retomada, alcançando-se e a p. 100
RECORTE:
Por outro lado, existe Salomé. Salomé é tão rápida e eficiente que lhe chamam Bosch como se fosse uma máquina de lavar alemã. A verdade é que é robusta, fala pouco, age com eficiência, não reclama e em termos de delicadeza não desmerece em relação às outras cuidadoras. Percebe de aparelhos e algo mais. Esta manhã, achou que se eu não ligo a televisão, então o trambolho não tem nada que ficar a ocupar a mesa dificultando o acesso à janela e interferindo com o gravador. Melhor seria guardá-la. Salomé perguntou - «O que lhe parece, Dona Alberti?» [...] Salomé decidiu, pegou no aparelho ao colo e enfiou-o no armário da roupa. Fechou a porta, satisfeita, como se tivesse eliminado uma peça de entulho do seu caminho. Quando pude dizer que sim, que seria melhor desembaraçar-me daquele óculo que me falava do destino do mundo como se fosse um aterro sanitário, já ela tinha decidido por mim. Obrigada, Bosch, aprecio pessoas assim. As fraquinhas podem chamar-se Indesit.
Lídia Jorge, Misericórdia, 2022, pp. 98-99
- rapidamente aceite a (recente) referência, do «Horas Extraord.as», a esta 1:ª Obra; na p. 205 (de 261), a 30;
RECORTE(s):
RECORTE(S):
A madrugada (depois de Sophia)
Veio sem mundo por vir.Andreia Faria (em «Revolução já! Poesia Pública»)
- já referidos, os Mestres Finezas de D. (o sr. F., da Calçada S. C. de S., e o sr. M., da Calçada da B. G.)...; para espanto de R., cá pelo Bairro, com tantos Neo-Barb.os, o preço do Corte não pára de baixar...; o narrador protagonista de «A arte...» explicita o final da narração da Primeira Infância, antes de nova mudança da família para outra casa, noutra terra..., na p.195, no final do cap. 31: «Era o fim de Fevereiro e, como em um drible de Garrincha ficava para trás a minha primeira infância.»;
- [da BiblioPenha, a devolver no dia 9; atingida a p. 220, de 275]
RECORTE(S):
Nessa época de vizinhança com o ancião Rodolfo, eu às vezes ficava de tocaia na porta da barbearia [...] Eu admirava a coragem da vítima cordata entregue àquelas mãos trêmulas manejando tesouras e navalhas, sem imaginar que logo seria a minha vez. Aconteceu alguns dias antes do meu aniversário de dez anos, quando me sentei naquela cadeira, sujeitado ao desejo de minha mãe de me ver com um corte profissional. O longo pano preto que recebi sobre o peito, indo até cobrir as pernas, e o modo apertado como o barbeiro amarrou com um nó os cordões atrás do meu pescoço, me fez sentir prisioneiro, [...] Ao ouvir sons sibilantes, virei o olhar um pouco para o lado, a tempo de perceber as mãos trêmulas afiando a navalha numa tira de couro, e logo o movimento da lâmina reluzente em direcção à minha cabeça, no fito de aparar os pés do cabelo e desenhar a linha recta da nuca. Foram instantes terríveis, e tive pensamentos de rebeldia, mas estava preso à cadeira e minha única defesa foi cerrar os olhos. [...]
Celso Costa, A arte de driblar destinos, 2023, p. 129