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| «Jaz morto e arrefece», 1973, Clara Menéres (1943-2018) |
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sábado, 12 de maio de 2018
sexta-feira, 9 de março de 2018
Sobreiros (F. P. não gostava de) - Manuel Alegre
TAMBÉM SOU
ALENTEJANO
A José Manuel Mendes
Fernando
Pessoa não gostava de sobreiros.
Não
sei se saberia do milhafre e do arrepio
circular
do seu grito.
Mas
percebia com certeza do interdito
da
passagem
do
rio.
Talvez
soubesse do raiano
do
mágico logaritmo de outra margem
e de
um azul secreto dentro do azul.
Mas
ele era só Baixa só urbano.
Sentia
na cabeça e na palavra.
Eu
gosto dos caminhos para o sul
onde
passa o cigano e a rola brava.
E
também sou alentejano.
Manuel Alegre, Alentejo & Ninguém, Caminho,
1996, p. 23
domingo, 15 de maio de 2016
Pessoa - «Irónico perfeito»
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Ironia perfeita
Fernando Pessoa é o irónico por excelência. E toda essa invenção dos heterónimos é uma obra-prima de ironia. Esse dotar de voz própria ao conjunto de "eus" que convivem em cada um de nós parece-me a ironia perfeita.
“Saramago: ‘La CE, un eufemismo”, El Independiente, Madrid, 29 de Agosto de 1987
domingo, 28 de fevereiro de 2016
«Boca do Inferno» - Castro Mendes
BOCA DO INFERNO
Procuras um país no
teu país
que não existe e não
existiu nunca.
O rosto com que fita
o teu país
é uma face feita
rocha adunca
a tirar-nos da
terra, não esqueças:
«o meu país é o que
o mar não quis»;
e vê a aridez, que
pede meças
à meseta deserta de
Madrid!
Pois da Europa assim
fomos dizendo:
«o rosto com que
fita é Portugal».
Mas o mar, por
temível e tremendo,
era mesmo assim o
nosso igual.
Agora fita a Boca do
Inferno,
vem meditar no
Portugal moderno!
(com versos
de Ruy Belo e Fernando Pessoa)
Luís Filipe
Castro Mendes, Outro Ulisses regressa a
casa, 2016 (fev.), Assírio & Alvim, p. 41
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