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quarta-feira, 1 de março de 2017

Campos Carnavalesco


- reproduzido de artigos do OBSERV. sobre Lazarim (Lamego) + o «centro interpretativo da máscara ibérica»...
- com «dossiês fotográficos»

AQUI

e

AQUI


(quanto ao outro carnaval, o «industrializado»...)

sábado, 19 de novembro de 2016

Pessoa, «sucumbido pela falta de massa», por Luís Moitinho de Almeida

- J. recorda a leitura desta «Rep., cruzada com Entrev. ou Depoim.» (?), assinada por A. M. R. - não se lembrava era que saíra na «Tabacaria» [deve estar «por aí» - um dia a reencontrará...] 
[«somos aquilo que juntamos», isto é, «arquivamos» - artigo de hoje, cheio de Listas, do «Grande Arquiv.» J. P. P., no Público]
- releu-a agora no Arquivo-Blogue. de A. M. R. - AQUI

RECORTES:

[...] Luís não presenciou nunca os momentos em que o Senhor Pessoa, à rasca de massas, metia vales à caixa. Conserva numa pasta de papéis antigos as sucessivas notas que eram passadas no escritório. Afiança que o dinheiro, a massa, nunca lhe era recusado. [...]
O pai depositava nele uma confiança ilimitada. O pai de Luís, Carlos Moitinho de Almeida, homem avisado que não dissimulava a desconfiança em relação ao mundo, nele, no poeta, depositava confiança ilimitada, mercê do tino comercial que lhe era reconhecido. «O meu pai rendeu-se ao êxito de Fernando Pessoa. Os clientes e agentes admiravam o modo como lidava com a correspondência, louvavam o teor das cartas». Enalteciam a sua capacidade argumentativa, importante para as epístolas de carácter comercial. O pai sabia que Pessoa era um homem cheio de qualidades. Todavia, ignorava o seu talento literário. [...]

Estes são os vales: 20 escudos, 30 escudos, 50 escudos. Sucessivos vales. Amontoados os papéis, o total de parcelas perfaz 510 escudos. «Não sei mesmo se chegou a pagar. A relação com o dinheiro era horrível. Como sabe, ele andava sempre à rasca de massa». Pessoa apoquentava-se com a falta de dinheiro e com as tempestades. Impressionava-se, sensibilizava-se. Todos os verbos são usados por Moutinho de Almeida para descrever a relação; por fim, recorre a sucumbir. Sucumbido pela falta de massa.
Os vales cobriam o luxo dos fatos talhados nos melhores alfaiates de Lisboa. Lourenço e Santos era um deles. [...]
Tinha a extravagância dos fatos e dos livros. Os livros, comprados em livrarias de Lisboa ou encomendados a estrangeiros, «Talvez contactos das traduções que fazia para vários escritórios», eram pagos a pronto, na urgência de serem comprados. Os fatos alinhavam pela moda dos anos 20, uma moda masculina a que chamavam Papo Seco. Casaco comprido, muito chegado ao corpo, calças apertadas e curtas. Usou sempre esses fatos, estruturados a três quartos, todo ele meticuloso. O vinco perfeito, a camisa impoluta. Era vaidoso com os fatos; os sapatos estavam sempre engraxados. [...]
Se vistas uma a uma, as folhas rubricadas a cereja permitem perceber os momentos de aperto. Moitinho desconhece o modo de pagamento; se à semana, se ao mês, quanto valia então o dinheiro. Para que serviam 30 escudos? Todos os meses, mais do que uma vez por mês, os vales eram submetidos à gerência. Quando recebeu o prémio do Secretariado Nacional de Informação pagou tudo. «Era um homem de contas direitas, o que não tinha era dinheiro». [...]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Soares + Fradique + Pizzarro + Reis

Um pessoano e um eciano em diálogo sobre «semi-heterónimos» [...] - com a Biblioteca Joanina em fundo [...]

- Excerto da Conversa,  por cortesia do Público      - AQUI

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pessoa - Soares - Desassossego - [«A vida deve ser...»]

TUDO QUANTO de desagradável nos sucede na vida - figuras ridículas que fazemos. maus gestos que temos, lapsos em que caímos de qulaquer das virtudes - deve ser considerado como meros acidentes externos, impotentes para atingir a substância da alma. Tenhamo-los como dores de dentes, ou calos, da vida, coisas que nos incomodam mas são externas ainda que nossas, ou que só tem que sofrer a nossa existência orgânica ou que preocupar-se o que há de vital em nós.
Quando atingimos esta atitude, que é, em outro modo, a dos místicos, estamos defendidos não só do mundo mas de nós mesmos, pois vencemos o que em nós é externo, é outrem, é o contrário de nós e por isso o nosso inimigo.
Disse Horácio, falando do varão justo, que ficaria impávido ainda que em torno dele ruísse o mundo. A imagem é absurda, justo o seu sentido. Ainda que em torno de nós rua o que fingimos que somos, porque coexistimos, devemos ficar impávidos - não porqe sejamos justos, mas porque somos nós, e sermos nós é nada ter que ver com essas coisas externas que ruem, ainda que ruam sobre o que para elas somos.
A vida deve ser, para os melhores, um sonho que se recusa a confrontos. [...]

Livro do desassossego - composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Ed: Richard Zenith. Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, pp. 162 - 163